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Caso Rhailla completa 10 anos: crime que chocou Trindade (GO) ganhou repercussão nacional e internacional

Aos 14 anos, adolescente foi atraída para uma falsa festa e conseguiu escapar após horas de violência; uma década depois, história atravessou o país, chegou ao exterior e virou até objeto de estudo acadêmico

Por Redação Trindade Uai

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Era uma quinta-feira, 29 de setembro de 2016. Rhailla Maielly Ferreira Kloh tinha 14 anos quando foi atraída para a casa de uma adolescente em Trindade (GO), sob o pretexto de participar de uma festa. Horas depois, conseguiu fugir gravemente ferida de um plano que, segundo a Justiça, havia sido preparado para terminar com sua morte.

Hoje, 29 de setembro de 2026, completam-se exatamente dez anos do caso.

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Na década que se passou, a história ultrapassou os limites de Trindade. Ganhou repercussão nacional, foi exibida em programas de televisão, voltou a viralizar nas redes sociais, tornou-se tema de produções dedicadas a crimes reais, chegou a páginas estrangeiras e foi levada até para o ambiente acadêmico.

Neste especial, o Trindade Uai reúne registros da época e materiais produzidos nos anos seguintes para reconstruir o episódio e mostrar como uma ocorrência registrada em Trindade continuou repercutindo dez anos depois.

A falsa festa

A data e os principais elementos do planejamento estão registrados pelo próprio Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). Segundo a Justiça, quatro adolescentes participaram da ação. Dias antes, elas teriam aberto uma cova para enterrar o corpo de Rhailla.

No dia 29, a adolescente foi atraída para uma das casas com a história de que haveria uma festa. No local, passou a sofrer agressões. O TJGO registra golpes de martelo e barra de ferro na cabeça e nas costas, além de outros meios de violência.

Em relatos feitos anos depois, Rhailla contou que considerava aquelas relações amizades normais e que não imaginava o que estava sendo planejado. Aos 20 anos, ao voltar a falar publicamente sobre o episódio, afirmou que enxergava as envolvidas como amigas.

Horas de violência

Reportagens posteriores baseadas no relato de Rhailla registram que as agressões se prolongaram por cerca de quatro horas. Ela contou ter sido amarrada, agredida e colocada na cova existente no quintal.

A gravidade dos ferimentos também aparece na documentação judicial. Segundo o TJGO, o relatório médico apontou lesões múltiplas e extensas, com perigo concreto à vida, inclusive pelos riscos de hemorragia e traumatismo craniano.

Parte da violência foi registrada em vídeo por uma das próprias adolescentes. Essas imagens posteriormente integraram a reconstrução do que havia ocorrido naquele dia.

A fuga

O desfecho mudou durante um momento de distração.

Uma das adolescentes declarou que saiu para lavar as mãos, que estavam sujas de sangue. Foi nesse intervalo que Rhailla conseguiu escapar. O TJGO registra que ela pulou o muro e fugiu.

A versão de que a vítima simplesmente teria sido deixada ir foi posteriormente contestada no processo. Testemunhas relataram que Rhailla foi encontrada bastante machucada e ainda com as mãos amarradas. A Justiça considerou esse elemento ao analisar as circunstâncias da fuga.

Anos depois, a própria Rhailla acrescentou detalhes à narrativa: disse que, mesmo ferida e com mãos e pés amarrados, conseguiu subir em uma árvore e atravessar muros até encontrar ajuda.

Uma vizinha a socorreu. Rhailla recebeu atendimento médico e posteriormente relataria ter carregado consequências físicas do episódio mesmo depois de adulta.

A investigação

A existência da cova, as gravações, os depoimentos e os ferimentos ajudaram a Polícia Civil e a Justiça a reconstruir o planejamento.

A motivação apontada à época envolvia desentendimentos escolares e ciúmes relacionados a relacionamentos anteriores, segundo a síntese publicada pelo TJGO.

Rhailla estava próxima de completar 15 anos. Relatos posteriores também associaram parte do conflito a um amigo que a ajudava na preparação de sua festa e que havia se relacionado com uma das adolescentes.

Durante a investigação, algumas declarações atribuídas às envolvidas chamaram atenção pela gravidade.

Na própria divulgação da sentença, o TJGO registrou que uma das adolescentes havia solicitado um dedo da vítima como prova de sua morte. Outra afirmou em depoimento que o plano inicial previa matar Rhailla e, ao ser questionada sobre arrependimento, relacionou-o ao sofrimento causado à própria mãe.

Justiça determinou três anos de internação

A resposta judicial veio rapidamente.

Em 31 de outubro de 2016, pouco mais de um mês depois dos fatos, a juíza Karine Unes Spineli Bastos, da 1ª Vara Cível, da Infância e da Juventude de Trindade, determinou três anos de medida socioeducativa de internação para cada uma das quatro adolescentes.

Como eram menores de idade, o TJGO preservou suas identidades na publicação e utilizou apenas as iniciais A., K., E. e N.

A decisão também individualizou as condutas. Conforme a publicação do Tribunal, K. e E. foram apontadas como responsáveis pelas agressões; A. teria atraído Rhailla para a falsa festa e filmado a violência; e N., que chegou posteriormente, teria participação prevista na etapa final do plano.

As defesas de K. e E. pediram que o ato infracional análogo à tentativa de homicídio fosse desclassificado para lesão corporal grave e sustentaram que teria havido desistência voluntária. As defesas das outras duas buscaram absolvição. Os argumentos foram rejeitados pela magistrada diante do conjunto probatório.

Há reportagens posteriores afirmando que as adolescentes deixaram a internação antes dos três anos inicialmente estabelecidos. Como o Trindade Uai não teve acesso, até o momento, às decisões individuais de execução e liberação de todas elas, este especial não crava o período efetivamente cumprido por cada uma.

O caso ultrapassa Trindade

A repercussão não terminou com a sentença.

A TV Anhanguera acompanhou o caso em 2016, e imagens daquela cobertura foram recuperadas para o material audiovisual deste especial.

Meses depois, a história alcançou a televisão nacional. Em fevereiro de 2017, Rhailla apareceu no programa Hora do Faro, da Record. Rodrigo Faro esteve em Goiás e participou da realização de sua festa de 15 anos. O Diário do Estado, publicado em 13 de fevereiro daquele ano, registrou que a história da adolescente de Trindade havia “chocado o Brasil”.

O aniversário tinha um significado especial: Rhailla estava justamente preparando sua festa de 15 anos no período em que sofreu as agressões.

Rhailla adulta conta sua própria história

Com o passar dos anos, Rhailla deixou de aparecer apenas por meio das reportagens produzidas quando tinha 14 anos e passou a narrar pessoalmente o que havia vivido.

Em 2022, aos 20 anos, seu relato voltou a viralizar. Uma das reportagens daquele período registrou que um vídeo no qual ela contava parte da história já se aproximava de 2 milhões de visualizações no YouTube.

Ela também concedeu uma longa entrevista ao comunicador Beto Ribeiro, relembrando os acontecimentos já sob a perspectiva de uma mulher adulta.

Trechos dessa entrevista integram o material audiovisual reunido pelo Trindade Uai para os dez anos do caso, ao lado das reportagens produzidas quando tudo aconteceu.

De telejornais a produções sobre crimes reais

A história continuou sendo redescoberta por novas audiências.

Em 19 de março de 2025, o podcast Café com Crime publicou um episódio de aproximadamente uma hora inteiramente dedicado ao caso, apresentando novamente a história de Rhailla para um público de produções sobre crimes reais.

O caso também atravessou as fronteiras brasileiras. Entre os registros localizados durante a preparação deste especial está uma publicação em espanhol da página El Stand del Crimen, dedicada à história de Rhailla.

O conteúdo estrangeiro apresenta uma inconsistência ao situar o episódio em 2019. A documentação do TJGO é clara: os fatos ocorreram em 29 de setembro de 2016.

Ainda assim, a existência da publicação mostra como uma história iniciada em Trindade passou a circular também entre públicos de outros países.

Caso virou objeto de estudo acadêmico

Quase nove anos depois, a história chegou também às salas de aula.

Em um registro apresentado ao Trindade Uai durante a preparação deste especial, uma publicação universitária de 15 de maio de 2025 informa que, no dia anterior, havia sido realizado um encontro especificamente dedicado ao “estudo do caso Rhailla Maielly”.

A publicação acadêmica relembra que Rhailla tinha 14 anos quando foi atraída para uma falsa festa em Trindade e apresenta o episódio como objeto de discussão entre estudantes.

Assim, o caso passou por diferentes fases: ocorrência policial, investigação, processo judicial, cobertura jornalística, televisão nacional, redes sociais, produções estrangeiras, podcasts e, anos depois, estudo em ambiente universitário.

Dez anos depois, uma das envolvidas fala sobre o caso

Às vésperas de completar uma década, surgiu ainda um novo capítulo.

Kailane Rodrigues, que se apresenta publicamente em vídeos atuais ao falar de sua participação no caso, publicou em sua rede social sua versão sobre acontecimentos de 2016.

O criador de conteúdo Guilherme Neves utilizou trechos dessas manifestações em uma produção sobre o caso. O vídeo também faz parte da seleção de materiais históricos e atuais utilizada pelo Trindade Uai neste especial.

Por se tratar de declarações feitas uma década depois, elas representam a versão atual apresentada por Kailane e devem ser diferenciadas dos fatos estabelecidos pela investigação, das declarações atribuídas às envolvidas em 2016 e das conclusões registradas pela Justiça.

Dez anos depois

De 29 de setembro de 2016 a 29 de setembro de 2026, uma década inteira se passou.

Nesse intervalo, a história de Rhailla passou pela Polícia Civil e pela Justiça, foi exibida em telejornais, chegou à televisão nacional, ressurgiu nas redes sociais, virou tema de podcast, circulou em conteúdo estrangeiro e chegou a ser discutida em ambiente acadêmico.

Para marcar os dez anos, o Trindade Uai reuniu três momentos diferentes dessa trajetória: a cobertura da TV Anhanguera feita na época; a entrevista em que Rhailla, já adulta, conta sua própria versão do que viveu; e um conteúdo recente produzido por Guilherme Neves a partir das manifestações atuais de Kailane Rodrigues.

São registros separados por anos, produzidos sob perspectivas diferentes, mas que retornam à mesma quinta-feira.

Hoje, Rhailla já não é a adolescente de 14 anos mostrada nas imagens de 2016. Dez anos se passaram desde aquela tarde.

Mas todas as reportagens, decisões judiciais, entrevistas, vídeos, podcasts, publicações estrangeiras e estudos que surgiram depois levam inevitavelmente de volta ao 29 de setembro de 2016.

Naquele dia, Rhailla entrou em uma residência acreditando que participaria de uma festa. Horas depois, ferida e amarrada, encontrou uma oportunidade para escapar.

Rhailla sobreviveu. Hoje, 29 de setembro de 2026, completam-se exatamente dez anos do caso que marcou sua vida, chocou Trindade e ganhou repercussão muito além das fronteiras da cidade.

Assista ao carrossel em: @trindadeuai.br

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