Fatos
Exclusivo: escola descobre abuso contra aluna em Trindade (GO), mas enfrenta recusa de Conselho Tutelar ao buscar ajuda
Educadores foram orientados a procurar diretamente a Polícia Civil, mesmo tendo alertado o conselheiro de que as aulas ficariam prejudicadas
Por Redação Trindade Uai

Conforme noticiado na última quarta-feira (23) pelo Trindade Uai, o caso envolvendo uma suposta violência sexual contra uma adolescente de apenas 12 anos ganhou novos desdobramentos.
Em apuração feita pela reportagem, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) informou que tomou conhecimento dos fatos após a direção de uma escola municipal comunicar a suspeita de abuso no ambiente familiar da vítima.
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O caso, no entanto, ganhou contornos ainda mais graves. Antes de ir à delegacia, a direção do colégio compareceu ao Conselho Tutelar da Região Leste em busca de auxílio. No entanto, os educadores foram orientados a procurar diretamente a Polícia Civil, mesmo tendo alertado o conselheiro de que as aulas ficariam prejudicadas pela ausência prolongada dos professores no ambiente escolar.
Logo em seguida, a equipe compareceu à DEAM para prestar depoimento. A estudante foi retirada da sala de aula e encaminhada à unidade policial, onde recebeu atendimento especializado. Durante a escuta realizada por uma psicóloga, surgiram indícios de que os abusos sexuais ocorriam há cerca de dois anos e que o suspeito seria o próprio pai da vítima.
Diante da situação de extremo risco e da necessidade imediata de medidas protetivas, a autoridade policial acionou novamente o Conselho Tutelar da Região Leste para que assumisse a guarda temporária da aluna, permitindo que os professores retornassem à escola. No entanto, segundo o registro policial, o conselheiro contatado recusou-se a ir à delegacia alegando falta de viatura. Ele orientou que a menina voltasse para casa com o próprio pai enquanto aguardava as providências cabíveis , conduta que pode configurar como crime de prevaricação ou omissão de socorro.
A Polícia Civil precisou acionar outra unidade do órgão, o Conselho Tutelar da Região Central, que prestou o apoio necessário para a realização de exames periciais e demais procedimentos legais.
Durante as diligências, a investigação revelou outro fato grave: a irmã da adolescente, de apenas 6 anos, também vinha sofrendo violência sexual por parte do pai. A presença do Conselho Tutelar revelou-se indispensável para analisar a situação de vulnerabilidade de todo o núcleo familiar.
A DEAM de Trindade destacou que, até o momento, nenhum representante do Conselho Tutelar da Região Leste esteve na delegacia ou solicitou informações oficiais sobre o caso.
A ocorrência segue sob apuração da Polícia Civil. Todos os registros relacionados à recusa de atendimento do Conselho Tutelar Leste, incluindo mensagens de texto e áudios, foram preservados e anexados ao procedimento para que sejam analisados pelos órgãos de fiscalização competentes, como o Ministério Público.
A reportagem do Trindade Uai procurou o Conselho Tutelar da Região Leste para obter um posicionamento sobre as alegações, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.
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